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Melancolia

30.março.2014

Viver é um verbo. Tem presente, passado e o futuro tão incerto. Eu vivo, tu vives, ele vive, todo mundo vive até morrer. Morrer, outro verbo. Sentidos opostos. Sentimentos também.

Para viver, é preciso nascer. Nascer é esperança, recomeço feliz; morrer é tristeza, desesperança, recomeço infeliz. E não adianta. Isso nunca vai mudar. Haverá sempre alguém a sorrir e a chorar; a mudar suas vidas; a viver de lembranças e saudades ou de alegria e entusiasmo. A vida é eterna nesses sentimentos.

Eu sei, você sabe, todo mundo sabe que um homem e uma mulher fazem amor, fazem sexo ou qualquer outro nome que preferir, não importa. No vaivém dos corpos, há mistura de gostos, prazeres e a fertilidade dos dois. Junta-se tudo a favor e um ser pode nascer. E quando nasce é alegria, graças ao milagre da vida. Há quem não suporte a ideia e expulsa o ser sem dar-lhe chance de saber se gostaria ou não de viver. Depende de cada um ou dos dois ou da família, quem sabe.

Ao ser concebido, ainda que esteja no ventre, o amor nasce e não morre jamais. Tão grande é esse sentimento! Maior que tudo que se possa imaginar. …




Crueldades

30.março.2014

Para minha profunda tristeza, não se passa uma única semana sem que eu fique horrorizada com notícias sobre a crueldade e torpeza humanas. São atos praticados contra seres indefesos no mais das vezes, como idosos, crianças e animais. Cometidos pelas mais variadas razões e mesmo pela ausência completa de uma que seja, são atos de covardia, de maldade e de vilania.

Muitas vezes eu sinto vontade de me alienar, de fingir que nada disso existe e que o mundo não é um lugar tão assustador quanto os noticiários dão conta e que há muita gente boa desse lado debaixo do céu. Mas viver requer coragem e sou teimosa demais para tamanha covardia. E de covardia em covardia, de omissão em omissão, vamos deixando de ser vítimas e nos transformamos em cúmplices…

Duas imagens e notícias particularmente me chocaram nessa semana. Vi uma imagem de uma cadela, muito mansa, que foi enterrada viva, deixada para morrer apenas com a cabeça para fora. Enquanto as pessoas a desenterravam, ela ia lambendo as mãos que a ela se estendiam. O animal poderia tentar morder, latir, mas somente demonstrava gratidão, revelando uma grandeza que aos poucos se esvai dos seres humanos.

Outra imagem marcante …




No trânsito

30.março.2014
Valéria Lopes

Do jeito que as coisas andam, ou melhor, não andam, vai ter gente passando mais tempo dentro de um carro do que fazendo outra coisa. Os engarrafamentos estão cada vez mais insuportáveis. Já faz  tempo que a hora do rush perdeu a importância. Antigamente,  sabia-se bem os horários complicados  de se pegar trânsito pesado.  Atualmente, não se pode fazer previsão nenhuma.  Desse jeito, vai ter família fazendo do carro, uma segunda casa. E vale improvisar.

- Mãe, que isso?

- Um isopor, não tá vendo? Dentro dele tem  água, suco e refrigerante.

- Pra quê? Vai vender?

- Ué, com esse calor, se a gente pegar engarrafamento e tiver sede, é só abrir a tampa e escolher… Não compro bebida nesse pessoal que vende nos sinais. Garrafas sujas, bactérias, eu, hein!

- E aquela sacola ali ocupando o lugar de uma pessoa?

- Tá com lanchinho, ora! Tem biscoito, sanduíche, Toddynho e bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro branco, que você adora. Melhor do que comprar pipoca no sinal… Vai que tem um rato morto dentro, como aconteceu com sua amiga que achou um camundongo sequinho dentro de um pacote desses? Credo, Deus me livre!!

- Que nojo, mãe!!…




Ode ao mar

23.março.2014

Mar, identificado o teu perfil, reconhecido onde te espraias, ali fundear meu coração marinho. Alumbramento azul, azul. Minha alma, um transatlântico insubmergível rompendo a textura da água.

À tona, a luminosidade, límpida evidência de tons, marulhares. No desvão das marés, a densa história de tua aventura. Que é mito, saga, água. Fértil de naturezas, pródigo de intimidades, na pele de tua superfície quem mergulhou o mais fundo de ti?

Para onde vão as espumas desfeitas? Fundem-se, misturadas ao que deixou de ser? Como apreender a fugaz existência do que o olho cria?

Amanhece. Emerges da insônia. Noctívago, despertas com o senso dos corais, a prontidão errante dos tubarões, a solicitude do vento e a rota dos navios.

Na fina malha da tua fluidez, cortar-te ágil. Conter o peso, a leveza e a fundura da tua matéria. Sondar caminhos, aqueles que conduzem a um farol solitário, à ilha onde a areia é de algodão, às espumas ansiosas, malhadas de sol. Admirar tua face em movimento, a familiar sensação de que te conheço. Depois, o pressentimento, a súbita impressão de tua exposta e gentil vaidade.

O riso incessante da onda abraça a sisudez do rochedo, que se rende em sulcos e fissuras, …




A Copa do Mundo é Nossa?

23.março.2014

Sei que a questão é controversa e polêmica, mas, ainda assim, em algum momento eu sabia que acabaria escrevendo sobre o assunto. A Copa do Mundo 2014, maior evento do futebol mundial está se aproximando e, nesse ano em que se realizará no Brasil coloco-me a pensar e a refletir sobre o assunto.

Antes de adentrar no âmago da questão, contudo, quero deixar claro que, embora eu não seja exatamente uma entusiasta do futebol, em meus tempos de colegial, hoje ensino médio, até participei de times femininos e jogar futebol foi algo que gostei bastante. O que não gosto é de fanatismo, de gente que fica de mau humor por conta do insucesso do time, que briga, ofende e até agride por conta de futebol. Aliás, não aprecio gente que faça isso por motivo algum…

Não há que se negar que, historicamente, o futebol é um esporte popular no Brasil, acalentando sonhos de muitos meninos pobres que buscam avistar um horizonte de promessas por detrás de uma bola. Para alguns, inclusive, essa bola é representação do próprio mundo. Famílias inteiras se mobilizam na esperança de que seus filhos sejam o novo Pelé, Ronaldo ou Neymar. Em um país de valores …




Diversidade

16.março.2014

Eu quero falar de mulheres e isso pode ser bem complicado.

Sou mulher, tenho filhas mulheres e sei que o misto de temperamentos leva à complexidade desse admirável ser.

Independente de cor, raça ou credo, elas têm desejos de superar os embargos que a vida lhes impõe.

Mulheres podem ser diversas numa só, em qualquer idade. Não há como generalizar ou arrumá-las por padrão, porque são iguais em suas diferenças; diferentes em suas semelhanças; difíceis e fáceis no agir; criativas e destrutivas na busca de soluções.

Podem ser perfeitas e inseguras; imperfeitas e seguras: quando louras, desejam ser morenas; quando morenas, louras. Brancas, mulatas, negras ou pardas, embaralhadas em diferentes culturas, estão no topo da vida, pois delas nascem vidas.

Há mulheres analfabetas e realizadas; formadas e frustradas; informadas; inconformadas.

Mulheres estão na política, no esporte, nas empresas, nas escolas, nos consultórios, nos lares simples, nas mansões e nas favelas, batalhando pela família.

Estão na História do Mundo ou na História de sua Própria Vida.

Existem mulheres vivendo sob o caos de tradições distorcidas e intolerantes. Injustiçadas e violentadas, em países distantes ou na própria casa, são vítimas da crueldade humana. No entanto,  há as que vivem livres e decidem …




O Circo

15.março.2014

Já nem me recordava direito há quanto tempo eu não ia a um circo. Quando criança, os circos eram marcados por números que envolviam animais e quase todos os que eu fui eram circos pobres, desses que se instalam nos arredores das cidades.

É fato, porém, que, quando se é criança, tudo é festa e só de haver um circo na cidade, já entravamos em polvorosa, ansiosos para vermos os palhaços, os leões, o elefante, o mágico e comer algodão doce, pipoca e maçã do amor.

Naquela época, alguns circos também se faziam acompanhar de parques de diversão, quase sempre caindo aos pedaços, mas dificilmente éramos convencidos a privilegiar pela segurança e acredito que muitas e muitas penas de nossos anjos da guarda tenham se perdido em rodas gigantes, trens fantasma e carrinhos de trombada.

Com o passar dos anos, para além de outros interesses se fazerem presentes em minha vida, eu comecei a entender que os animais de circo, em sua quase totalidade, se não eram mal tratados na essência, eram pobres coitados cujas vidas estavam limitadas a poucos metros quadrados de uma jaula e ao trabalho forçado de espetáculos para os quais eram adestrados a custa de dor …




Feriados e boleros

15.março.2014

Estou escrevendo esta crônica enquanto ouço os boleros de Luis Miguel. Minha filha mais nova colocou as músicas no meu computador. Maravilha! “Usted es mi esperanza…”, e a música maravilhosa me faz pensar em sonhos do passado e alguma coisa a mais do presente. Mas o presente também tem sido gratificante. Apesar dos pesares. Tal ressalva se impõe, fatal, nos dias de hoje.

Nossa vocação é reverenciar o passado. Mas se há algo que devemos agradecer sem cessar é o dia de hoje, cada instante vivido, com a chama eterna dentro da alma. O dia de hoje é e será sempre o mais belo de toda a nossa existência.

Convenci-me de que a vida vale o agora. Este momento é o mais precioso de todos. O momento em que escrevo e penso, ou quando tomo um delicioso café da manhã. Ah, ficar ao sol, sentada numa espreguiçadeira, rezando o terço! Ou quando me aninho nos lençóis frescos da minha cama, apago a luz, e começo a conciliar o sono.

Cada vez mais, compreendemos esta assertividade: se há algo que podemos mudar é o nosso presente. O passado já aconteceu, o que está feito está feito, não há como e onde …




Lixo, lixo, lixo

9.março.2014

Se há uma coisa que incomoda profundamente é ver a quantidade de lixo que as pessoas jogam por aí. Há lixo em todos os lugares e dos mais variados tipos, descartados pelas mais diversas pessoas. Lixo nas ruas, nas calçadas, nas praças, nas salas de aula, nos rios, no mar e por todo canto onde circule o bicho homem.

Sinto muito vergonha das pessoas que jogam lixo fora como se o mundo todo fosse uma imensa lixeira. Nem de longe, nem muito remotamente beiro à perfeição, mas recebi educação suficiente para me impedir de jogar no chão um único papel de bala. Sou incapaz de jogar lixo na rua ou onde quer que seja o lugar não apropriado.

Muitas e muitas vezes eu tive a vontade de pegar uma vassoura ou um coletor de lixo e ir, em mesma, catando as tranqueiras por aí, porque parece que ninguém se incomoda e que as pessoas acham normal ficar se desviando das coisas ou olhar tudo indo para os esgotos e rios, entupindo e poluindo tudo…

Dia desses, seguia eu andando pelas ruas de São Paulo quando passei em frente a um órgão público que se destina, entre outras coisas, à defesa …




Conclusão

9.março.2014

Para qualquer assunto a ser resolvido; para qualquer sentimento sentido; para toda decisão tomada na vida, há os passos na busca das soluções. Nessas passadas, tropeço e levanto; falo às avessas, emudeço; entristeço; me compadeço; me alegro. Há sempre o contraste entre cores vivas e mortas compondo a confusa trajetória.

O caminho pode ou não ser longo; pode ser tortuoso ou plano; ilícito ou justo. Depende das sombras que carrego comigo; do que encontro pela frente e de como encaro o fato; depende de mim somente ou não. Geralmente, nada é singular. Em tudo, há pluralidade.

Simplesmente, sigo sem pensar duas vezes. Sofrer faz parte. Solucionar é preciso, acumular é pior. Haverá surpresas e desilusões. Inquieta, busco a quietude, por isso prossigo.

Esperançosa, tento nivelar os desníveis; arrumar por camadas em ordem ou desordem. Levo um tempo danado tentando. Minha testa sua, meu coração inflama, desinflama e me asseguro de que não é tempo perdido e, sim, achado. Vale a pena eliminar o desconforto e correr atrás da segurança escorregadia.

Entusiasmada, chego à conclusão. Passar por tudo isso para ao acabamento final, é dar por encerrado e promover meu merecido descanso. Mesmo que momentâneo, um descanso é melhor do que …





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